quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Quem nunca sonhou que estava voando? Sempre foi meu sonho preferido. Acordava bem, triste apenas pelo sonho ter acabado. Tentava voltar a dormir pra ver se o sonho continuava, mas nunca dava certo...

Fascinado mesmo eu ficava quando sobrevoava sobre a minha casa alguma asa-delta. Às vezes, várias delas coloriam o céu. Eu ficava com os pés no chão, mas com a cabeça no céu junto com eles, me imaginado alto dentro das nuvens e vendo minha casinha lá de cima. Eu sempre falava que um dia ia voar também.

A vida é cheia de oportunidades, e quando surgiu a possibilidade de fazer um vôo duplo de asa-delta, eu não desperdicei. Fui para a rampa com um amigo e fiquei olhando atentamente a montagem da asa-delta, encantado e ansioso. Quando finalmente tirei os pés do chão, foi só alegria. Me lembrei de quando era criança, do meu sonho que finalmente se tornava realidade. Era mesmo como no sonho, um vôo bem silencioso, o único barulhinho era o do vento cortando a asa. Nunca vou me esquecer desse dia, do meu primeiro contato com o vôo livre, esse esporte maravilhoso.

Nesse dia do primeiro vôo, além da turma da asa-delta, também tinha uma galera voando de parapente. Parecia ser bem mais frágil, mas o que chamou atenção foi o fato do equipamento ser transportado todo numa grande mochila, sendo bastante portátil. Conversando com os voadores, fiquei sabendo que você podia colocar a mochila nas costas e levá-lo para qualquer lugar. No caso da asa-delta, era preciso um carro para transportá-la até a rampa de vôo. E as decolagens eram restritas às rampas próprias para vôo livre. No parapente, essa possibilidade de decolagens era ilimitada. Eu imaginava decolar de todas as montanhas que eu já tinha subido, em Petrópolis. Quando finalmente consegui juntar uma grana pra fazer o curso de vôo livre, optei por voar de parapente.

Me lembro como se fosse hoje da primeira vez que tirei os pés do chão, preso num simples pedaço de tecido e muitas, muitas linhas... A escolinha de vôo era um morrote. Primeiro você aprendia a inflar e controlar a vela no chão, depois partia pro morrinho. Começava na parte mais baixa, o vôo não durava mais de 3 minutos. Gradativamente, ia-se subindo cada vez mais o morro. No alto, já dava uns 50 metros e era muito emocionante. Depois de aulas teóricas sobre metereologia, mecânica de vôo, regras de tráfego aéreo e etc., eu já estava pronto pra finalmente fazer o primeiro vôo da rampa.

Não consegui dormir na noite anterior. Só pensava em voar, sozinho. O vento estava Sul e o vôo seria da rampa da Siméria, em Petrópolis. O tempo estava meio nublado e eu imagina como seria ruim se o tempo fechasse completamente e me impedisse de fazer o vôo naquele dia. Mais um dia de expectativa me faria enlouquecer, queria voar logo. Quando o Flávio, meu instrutor, falou que ia dar pra voar e que eu podia começar a preparar o equipamento, foi um misto de alegria e medo. Eu abri meu Sol Impulse roxo e branco na rampa e comecei a verificar todas as linhas, a checar todo o equipamento (fiz isso várias vezes, por garantia e por medo, também). Estava atrelado à minha asa, e Flávio falou que eu podia decolar. Tentei uma vez, não consegui. A vela tendeu pra direita e não consegui inflar perfeitamente. Tentei a segunda vez, também não consegui. Estava realmente muito nervoso. Na escolinha eu sempre decolava de primeira, inflava perfeitamente, mas na rampa era bem diferente. Só consegui inflar na quinta tentativa, com a ajuda de outros pilotos. A coisa mais corajosa que eu fiz até hoje na minha vida foi correr com todas as minhas forças na rampa, depois de conferir que a vela estava inflada sobre minha cabeça. Só parei de correr quando percebi que meus pés já não tocavam mais o chão, eu estava voando!









(Essa história continua em outra futura postagem)


4 comentários:

Michelle Romanini disse...

Muito legal tua história....imagino que deve ter sido uma sensação maravihosa,apesar de nunca ter tido esse sonho.
Porém sei que realizar um sonho..por menor que seja é fundamental em nossas vidas!
sonhos são importantes..seja voar,nadar,subir montanhas,curar,amar...cada um tem sua grandeza e seu significado..
Lute sempre por eles,pois você já teve a prova de que tudo é possivel!basta querer muito!
te amo muito,meu sonho!rsrsrrs

Nelson disse...

Continue sempre almejando vôos mais altos meu amigo, e aterrise logo de volta por aqui pra nos contar o desfecho dessa história.



Spread your wings and Fly !!!

tarci disse...

Pois eh, sua primeira experiencia com o voo livre foi tao marcante quanto a minha na escalada, alias, como nao ter experiencias marcantes em esportes radicais? E o melhor de tudo: por mais experiente que voce seja, cada nova vez faz voce se sentir como na primeira. Eh por isso que eles sao considerados esportes viciantes, eh uma das poucas coisas na vida que faz nosso coracao bater mais forte para sempre e com que a gente continue sonhando sem fim :)

Pronto, ta comentado. Beijo!

Carol Emboava disse...

Eu quero voltar com tempo pra ler tudo... com calma... e não correndo, como eu fiz agora!
beijo!!!!!